"Nós assumimos a tecnologia porque ela pode debelar velhos problemas da humanidade e pode nos ajudar a preservar a Terra. Ela pode ser o veneno, mas também o remédio. Praticamente há um consenso de que todo o Universo está em expansão e em evolução. Ele é auto criativo e nós também. Estamos ainda nascendo". Leonardo Boff - Conferência Continental das Américas, Cuiabá 1998.
A Fundação Natureza nasceu de uma proposta a se tornar a primeira escola ambiental do Brasil com a missão de promover a cultura de uma humanidade onde o desenvolvimento tecnológico fosse construído dentro do respeito e convivência pacífica com a natureza.
Nessa perspectiva, vários projetos e programas vêm sendo desenvolvidos desde a sua fundação em 1989, sendo todos executados através da formação de redes com organizações governamentais e não governamentais afins, com recursos próprios ou advindos de apoio material das indústrias e comércio de Nova Friburgo onde a Fundação Natureza está sediada.
Dessa forma, a Fundação Natureza vem atuando livremente de vínculos político-partidários ou religiosos, podendo intervir e interferir independentemente nas decisões de Conselhos e Fóruns; realizar ações educativas para a exigibilidade de políticas públicas voltadas à ecologia humana, preservação do meio ambiente, combate ao tráfico de animais e ao desperdício.
Desde o ano de 2005 a Fundação Natureza coordena o Fórum de Entidades de Direitos Humanos na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro e a partir do segundo semestre de 2007 foi formada uma coordenadoria voltada a ações mais diretas aos temas que envolvem questões de gênero, cidadania e direitos humanos. Esta coordenadoria tem o objetivo de desenvolver projetos específicos nessas áreas visando a promoção dos Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais - DESCAS.
Após a inserção em seus quadros de uma Equipe Técnica Multidisciplinar de Apoio às Mulheres Vítimas de Violência, a Coordenadoria Gênero, Cidadania e Direitos Humanos lançou, em 25 de novembro de 2007, o serviço, via internet "Tecle Mulher" de apoio psicológico, orientação jurídica e encaminhamento às Redes de Serviços Públicas para as mulheres vítimas de violência que têm acesso a essa tecnologia de informação.
Independentemente da própria concepção individual sobre o desenvolvimento tecnológico, ele avança, a cada minuto, em rítmo espantoso e de forma extremamente elitista. Especificamente no que se insere sobre a internet, a sua democratização é um processo novo que envolve a promoção dos direitos humanos universais e que, através do www.teclemulher.com.br, nos servimos dela para ser o remédio, da fala de Leonardo Boff, para as mulheres que sofrem a dor da violência.
Construir uma identidade humana dentro dos ambientes tecnológicos é um desafio para o século XXI no qual estamos consolidando nossas perspectivas de mudança social através da promoção dos Direitos Humanos das Mulheres.
O Tecle Mulher vem, dessa forma, constituir um novo parâmetro dos sites de relacionamentos interpessoais, onde não existe o contexto limítrofe da distância e onde o teclar das mulheres que solicitam ajuda têm a resposta pronta a um encaminhamento às redes de serviços públicos de atendimento, já formalizadas, ou, simplesmente, uma resposta de alento, compreensão e ajuda.
Existe, atualmente, um campo vasto de estudos e estatísticas pautadas em serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência, principalmente das capitais do país e, geralmente, advindos das DEAMs, Delegacias Especializadas no Atendimento às Mulheres, dos diversos Centros de Referência da Mulher, dos Serviços telefônicos "Disque Mulher" e dos serviços públicos da justiça. A maioria desses estudos foi pautada no atendimento de mulheres menos escolarizadas, da faixa etária entre os 30 e 40 anos de idade, casadas ou com uma união estável de longos anos, donas de casa e mães de famílias.
O Tecle Mulher pretende obter novos e importantes dados de um segmento diferenciado da sociedade feminina, com um nível mais alto de escolaridade, trabalhadoras de diversos campos da sociedade e de diversas faixas etárias, mas da mesma maneira, sujeito às várias formas de violência de gênero.
Em dezembro de 2009 o Projeto "Construindo novos caminhos para a conquista dos direitos das mulheres" foi aprovado para convênio com o Governo Federal através da Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres.
É um grande desafio: A promoção da cidadania das mulheres através de uma tecnologia humanizada para a promoção de uma cultura de paz.